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O comportamento do jovem frente a Internet

31 de março de 2010 2 comentários Por Redação Melhor do Marketing

Vivemos em uma era de profundas transformações no modo de viver, consumir e nos relacionar com as pessoas e uma grande “culpada” desse nosso novo processo sem dúvida alguma é a Internet; que na minha modesta opinião é a maior revolução da comunicação de todos os tempos, afinal, em um só veículo temos textos, som, vídeo, imagens, movimento e tudo isso na mesma página, basta acessar a qualquer home de Portal e você verá como tem tudo isso em suas mãos, ou melhor, olhos.

Essa revolução é por um lado muito importante para o crescimento de qualquer nação, pois sem conhecimento não chegamos a lugar algum, mas por outro lado, recentes pesquisas começam a assustar até a quem trabalha com esse meio, como eu: os jovens estão cada vez mais dependentes da web!

Me lembro que quando eu tinha 14, 15 anos (hoje estou com 30) minha maior diversão era jogar futebol. Era apaixonado por isso. Praticava o esporte diariamente, de domingo a domingo quase que 5 a 6 horas por dia. Jogava bola na escola, em três vezes por semana em uma escolinha de futebol no meu bairro, as 2as feiras com o pessoal do escritório de advocacia do meu pai e ainda – todos os dias – com os meus amigos do prédio em que morava com meus pais. Fazia chuva ou sol, eu estava lá jogando. Vivia suado, machucado, mas feliz por fazer um esporte que amava. Computador para mim, era sinônimo de trabalho de geografia, história, biologia… eu tinha um PC 286 daqueles com a tela verde e preta, tinha alguns joguinhos, mas meu negócio era ir para a quadra (improvisada) do prédio e jogar futebol. Em dias de calor era futebol, piscina, futebol… meus melhores amigos, até os dias de hoje, são dessa época. Os conheci em 1988 e somos uma “segunda família” até os dias de hoje.

A grande maioria da turma se mudou do prédio, mas ainda há alguns que moram lá. Sempre que posso vou até o prédio visitar alguns e vejo a nossa improvisada quadra vazia, a piscina apenas com um casal que tem uma criança de colo… ficamos lembrando do nosso tempo de criança e perguntando onde está a geração de 14,15 anos hoje que não está na quadra jogando bola em um sábado de sol com céu azul? A resposta é simples: Estão no computador!!!

Não creditem essa história apenas ao meu antigo prédio. Hoje em dia a maioria das crianças e adolescentes estão enfiadadas em uma sala ou quarto com seu computador de última geração, com internet mais rápida do que muita empresa, passando mais de 10 horas (as vezes mais que muito executivo) na frente da tela jogando, se relacionando, conversando, namorando, baixando música, lendo uma matéria da sua banda favorita, buscando emoticons para o MSN… enfim, estão mais brancos do que cera, estão engordando pois troca-se a alimentação saudável por um lanche na frente do computador e estão perdendo um tempo que não volta mais: o tempo que a única responsabilidade é estudar e se divertir!

Na edição de número 2.157 de 24 de Março de 2010 da Revista Veja (Editora Abril) foi publicado um estudo sobre o comportamento do jovem frente a Internet. O material, confesso, assusta pois os depoimentos recolhidos ali pela equipe de reportagem devem acender a luz amarela aos pais, e claro, a todos aqueles que trabalham com a Internet. A Internet deve ser um meio de comunicação, entretenimento e relacionamento. Não um vício.

“Aos 14 anos ganhei meu primeiro computador. Fui me tornando uma pessoa viciada sem perceber. Há 6 meses desde que terminei a escola fiquei ociosa sem saber que faculdade seguir. Passo em média 8h por dia navegando e sempre me parece insuficente. Na Internet me refugio da timidez. Tenho Blog, mais de 300 amigos em Redes Sociais. Por lá arrumei um namorado. Só tenho uma amiga da época pré-internet. Até refeições faço na frente do computador. Vivo em um mundo fechado, sou improdutiva. Acho que preciso de ajuda” Esse é o relato dado a Revista Veja de Marília Dalabeneta de 18 anos.

Para mim, soa assustador primeiro de tudo ver que há pais que vivem no mesmo teto de uma adolescente assim e nada fazem. Me lembro, que já no colegial meu pai me colocou para trabalhar como office-boy do escritório dele ganhando 300 reais por mês que eu torrava em CD, McDonald´s e baladas. Mas desde cedo peguei amor pelo trabalho, por ter meu dinheiro; minha mãe, psicóloga, foi grande incentivadora disso e agradeço demais meus pais por essa iniciativa; outro ponto a analisar é saber que em um momento de total fraqueza de um adolescente que tem que decidir o que vai ser “quando crescer” a jovem totalmente desmotivada se entrega ao computador como amigo, é lastimável, mas há milhares de Marílias pelo Brasil.

Segundo o estudo, como cada vez menos os pais tem tempo para o filho e a web é algo rotineiro na vida deles, fica difícil dos pais perceberem quando o filho está viciado, apesar, que em alguns casos os pais fingem que não vêem ou deixam os filhos conectados para que esses não o amolem ou briguem entre si, aumentado o problema.

Cada vez mais vemos o jovem sem iniciativa, querendo que tudo caia do céu e sem a menor vontade de pegar no pesado. Conheço casos de jovens de 18 anos que conseguem empregos ganhando 800, 900 reais mais desistem porque o trabalho é chato ou ganham mal. Os jovens de hoje acham que a vida é um vídeo game que em 2 ou 3 fases eles pularam de estagiário para presidente de multinacional na ilusão que trabalharam pouco, (como se presidentes e CEOs de multinacionais não trabalhassem 15 horas por dia) ficarão dando ordens e ganharam 80 mil reais por mês.

É difícil perceber o momento quem alguém deixa de fazer uso saudável da Internet para estabelecer uma relação de dependência – essa é, na minha opinião o ponto chave da matéria.

“Há dois anos a minha relação com a Internet deixou de ser saudável. Perdi a medida. Entro no computador para trabalhar no meu projeto de conclusão de faculdade e quando me dou conta estou no Orkut. Sei que isso me prejudica, mas não consigo mudar. Deixo de sair para ficar online. Só o sono me tira da frente do computador” – relato de Tiago Lourenço de 25 anos

Estudos nos EUA mostram que dos internautas em vários países estudados, inclusive aqui no Brasil, cerca de 5% é viciado, em números, no Brasil cerca de 3,5 milhões de pessoas são completamente viciadas em web, ficando como nosso “amigo Tiago” mais de 8h e deixando de sair para ficar conectado; a maior concentração está na faixa de 15 a 29 anos. São pessoas que trocam uma festa com amigos por um jogo online ou um bate-papo no Twitter ou MSN.

Cerca de 90% usuários de internet, os internautas, estão na faixa de 15 a 29 anos. Se por um lado, pensando em marketing digital, isso é bom, pois muitos desses jovens hoje serão os decisores das empresas amanhã e com isso a web vai crescer por outro lado é ruim pois veremos cada vez mais pessoas altamente despreparadas para assumir cargos de comando e chefia (todas as áreas) nas empresas, logo veremos muitas coisas ruins acontecendo. Não quero aqui generalizar, pois há muitos jovens nessa faixa que são grandes talentos.

Estou nesse momento me associando a um deles, um enorme talento e inteligência, mas de um cara que sempre diz que enquanto seus amigos iam para festas, ele estudava, enquanto outros iam jogar vídeo game em Lan houses, ele lia um livro de finanças. Hoje os amigos estão trabalhando em empresas e ele tem 8 empresas, faturando alto e nem chegou aos 30 anos.

O jovem tem por natureza uma profunda paixão pelo descobrimento, basta que o ajudemos a canalizar isso para o seu bem, não apenas profissional como pessoal também. Relacionamento físico é extremamente importante.

Essa falta de relacionamento tem deixado o jovem tímido, com baixa estima e fraco. Ele tem medo do que a sociedade vai pensar, pois tem medo de se mostrar, então ele entra em seu mundo paralelo, na web, onde ele poder ser um personagem. Nas redes eles podem se expor sem problemas, sem medo, pois não estão encarando o olho no olho ou uma multidão. Estão escrevendo para um monitor e pronto!

Segundo a psicóloga Kimberly Young “o viciado em Internet vai, aos poucos, perdendo os elos com o mundo real até desembocar com o universo paralelo e completamente virtual” em outras palavras, a vida desse viciado passa a ser seu quarto e sua conexão de Internet. Fico imaginando esses jovens quando há uma pane no Speedy, devem surtar de um modo até agressivo.

Que os pais (e em breve me encaixo nesse perfil) comecem a olhar mais as crianças de hoje, que são o futuro da nação, mas que criemos cidadãos e não pessoas que vivem seu mundo paralelo no digital. Será que estamos vivendo um novo Second Life?