Em meu último artigo: Psiu! Que eu quero ouvir! Os benefícios da pesquisa em redes sociais, mencionei que para ouvir as redes sociais, vontade só não basta. É importante saber como ouvir.
Depois do primeiro passo dado, que foi decidir utilizar as redes sociais para escutar o que os clientes estão falando da sua marca ou produto, é necessário realizar um PLANEJAMENTO. E na elaboração deste, é importante observar alguns aspectos que mencionarei a seguir:
Verificar o perfil do comportamento dos seus consumidores nas redes sociais na Internet:
Identificar qual o perfil do consumidores que se deseja atingir é fundamental, pois isso poderá determinar que tipo de informação que as empresas podem recolher nestas redes sociais. Os consumidores podem ser Criadores (publicam em um blog, pelo menos uma vez por mês, mantém uma página na web, fazem upload de arquivos de vídeo ou áudio); Críticos ( pulicam críticas de produtos/serviços, fazem comentários em blogs de outras pessoas, escrevem em fóruns on-line); Colecionadores (usa feeds RSS, adiciona tags a páginas web ou fotos, votam online em sites web); Participantes (mantém um perfil em um site de relacionamento social, visita sites de relacionamentos; Espectadores (lê blogs, assiste à vídeos de outros usuários, lê fóruns online); Inativos (não desenvolve nenhuma dessas atividades).
Escolher uma marca ou produto para monitorar:
Se a empresa tem muitas marcas ou vários produtos, o ideal é escolher apenas uma marca ou um produto para começar a ouvir os CONSUMIDORES e monitorar. Isso facilitará o entendimento do ambiente, além de evitar que gaste muito dinheiro e no final das contas a empresa se confunda com a quantidade e variedade de informações.
Gerenciar e interpretar os resultados:
É fundamental para as empresas que se lançam na tarefa de ouvir seus consumidores assegurar-se de que o profissional que fará a escuta e monitoramento nas redes sociais esteja capacitado o suficiente para gerenciar a informação que chega, e interpretar os resultados.
Escolher um profissional experiente para interpretar as informações e integrá-las a outras fontes:
A escuta e monitoramento gera conclusões mas elas não chegarão até os empresários se não houver um gerenciamento destas informações e principalmente, sem que haja uma integração com outras pesquisas, a fim de criar uma visão completa do mercado.
Estes são apenas alguns aspectos que os profissionais que se aprofundam na realidade das redes sociais devem ficar atentos. Lembrando que o primeiro passo para estabelecer um relacionamento com os consumidores nas redes é ouvi-los. E ouvi-los de forma sistemática e de forma que seja possível mensurar os resultados desta escuta.
Na orientação típica da sociedade de massa, o marketing se propõe como atividade capaz de alcançar todos os consumidores, segmentando o mercado para melhor endereçar as próprias atividades, mas considerando, na maioria das vezes, os consumidores como uma realidade indiferenciada.
No entanto, observa-se que as estruturas típicas da sociedade de massa vêm mudando de forma radical. Os consumidores revelam novas tendências e novas exigências. Os mercados se tornam cada vez mais complexos e imprevisíveis. O marketing deve responder a esta nova situação mudando, de um lado, os próprios conceitos relativos ao comportamento dos consumidores e à segmentação dos mercados e propondo, do outro, uma nova atenção para com os mercados internacionais e a concorrência.
Uma alternativa para esta mudança de paradigma são os estudos sobre o consumo voltados para uma visão antropológica, que já ocupam hoje posição de relevância nas ciências sociais e humanas. Esse interesse pelo consumo e pela sociedade de consumo veio acompanhado de uma considerável troca interdisciplinar e estabeleceu pontes entre pesquisadores dos mais diversos assuntos: sociologia, antropologia, marketing, comunicação, etc.
Do ponto de vista empírico, toda e qualquer sociedade faz uso do universo material a sua volta para se reproduzir física e socialmente. Os mesmos objetos, bens e serviços que saciam as “necessidades” físicas e biológicas das pessoas, são consumidos e utilizados também para mediar suas relações sociais, lhes conferir status, “construir” identidades e estabelecer fronteiras entre grupos e pessoas. Para além destes aspectos, esses mesmos bens e serviços que auxiliam na “descoberta” ou na “constituição” da subjetividade e identidade das pessoas.
Um exemplo clássico do que acabo de manifestar, se dá quando uma pessoa precisa de uma calça jeans e ao sair para comprar, prefere (mesmo que não possa comprar) a calça de marca mais cara, que está na moda, que toda a galera está usando. O que isso quer dizer? Que ao adquirir este produto, a pessoa não vai apenas se vestir, ela vai demonstrar que ela está “antenada” com a moda, vai ser aceito e reconhecido no seu grupo, etc.
Apesar do que acabo de falar parece óbvio, o consumo se tornou o foco central da vida social. É através dele que as pessoas comunicam seus valores e se diferenciam socialmente. O ato de consumir está imerso em uma rede de significados compartilhados socialmente, que dão sentido à vida cotidiana das pessoas. Cada produto, cada serviço em uma sociedade contemporânea ocidental traz consigo valores muito mais complexos do que apenas seu valor econômico.
Ao contrário das sociedades tradicionais onde a identidade e o consumo eram determinados pelo pertencimento dos indivíduos a grupos de referência como a família, nas sociedades pós-tradicionais, estilo de vida e identidade tornaram-se, opcionais. Independente da posição social, idade e renda pode-se ser quem se escolher: hoje quero parecer “descolada” e da moda, amanhã sou uma profissional séria…
Outro aspecto que merece atenção, a identidade não é apenas uma questão de opção individual, mas também uma situação transitória, uma vez que podemos assumir diferentes estilos e optar por valores distintos, dependendo dos grupos que estamos inseridos e do momento que estamos vivenciando.
Um exemplo para ilustrar isso, é o consumo da cachaça, produto tido como típico do Brasil. Porque um cidadão tomando cachaça num boteco é cachaceiro e um outro, tomando em um bar no exterior, ou de luxo, é apreciador da bebida típica brasileira? Isso reflete o aspecto cultural inerente àquele produto e sociedade, e que é reconhecido por todos que compartilham daquela mesma cultura.
Observa-se, portanto, que todo consumo é cultural, pois envolve significados partilhados socialmente e porque tudo que é consumido possui um significado cultural específico, através do qual reproduz-se o sistema de relações sociais daquela sociedade.
Na verdade, nunca se observou uma separação entre cultura e consumo, simplesmente porque todos os fenômenos sociais são culturalmente determinados, já que emergem do interior das sociedades. A função do consumo já é um significado, devido a sua determinação cultural.
Concorde-se ou não com suas afirmações, o fato é que o consumo é um dos fenômenos mais importantes da sociedade moderna, especialmente ocidental. O exame das relações entre os seres humanos e os objetos permite acessar inúmeras características e peculiaridades individuais e culturais, constituindo um retrato das pessoas e dos grupos sociais.











