Até onde vai seu amor por uma marca?

Em meados de abril uma história chamou atenção: O aposentado José Cardoso juntou por 7 anos moedas de R$1, pois queria comemorar bodas de ouro com sua esposa de forma diferente, ousada e que tivesse uma bela história por trás. Durante 2,555 dias, Seu Zio – apelido carinhoso dado pelos moradores de Bom Jesus da Serra, Bahia – conseguiu captar o valor referente a um Novo Fiat. Ao chegar na concessionária, a história  virou reportagem:

Antenada às novidades e revolucionária no e-branding, a Fiat foi esperta! Transformou a história do Seu Zio em um curta, exaltando a paixão dele pela esposa – e pela marca, lógico! – e suas 34 mil moedas. O romance também virou a nova campanha da marca, que você pode ver lá na fan page da Fiat.

E você? Até onde vai o seu amor por uma marca?

Começo esse artigo com uma questão:
O que nós publicitários podemos aprender com o case do Fiat Mio?

A primeira resposta que daria é que: Internet é muito mais do que uma mídia para vender! Ela é capaz de projetos de relacionamento entre marca e consumidor. Ao menos, como profissional de planejamento estratégico digital defendo essa tese há tempos.

O Fiat Mio é um projeto que vem sendo desenvolvido pela FIAT em parceria com a Agência Click há alguns meses (início de Setembro 2009), mas que agora, graças a uma recente matéria na Revista Exame (Edição 968) voltou a ser pauta de discussões sobre o que esse case pode nos ensinar e como ele pode revolucionar a comunicação no Brasil, digo no Brasil, porque cases como do Mio já são mais comuns nos EUA e Europa como o “My Starbucks Idea” por exemplo.

O desafio da FIAT é lançar mais um carro-conceito, algo que ela vem fazendo há anos, tendo em seu DNA a inovação e transferindo isso para seus produtos e comunicação. Na minha opinião, ao lado de Romeo Busarello (Tecnisa), João Ciacco (diretor de marketing da FIAT) é um dos caras que mais entendem, acreditam e investem na web como plataforma de comunicação e não apenas vendas ou estratégias de “coloca o banner na home de todos os portais”

O case FIAT Mio de começo já economizou milhões de reais da empresa em pesquisas com consumidor na concepção de um novo carro, pois a partir de um site, as pessoas puderam – espontaneamente – dar depoimentos do que queria em um carro. Algumas boas ideias, outras péssimas, mas assim foi nascendo o carro conceito da empresa; o erro nessa ação, ao meu ver, é que ela movimentou muita gente apenas para ser uma peça a ser mostrada no Salão do Automóvel de São Paulo em Outubro. Mas por outro lado o que essa ação tem gerado de repercussão para a marca e que vai gerar mais ainda próxima a data do salão, possivelmente vale o investimento, além, claro de ser um teste da marca para uma nova forma de se relacionar com seus consumidores.

Os números da ação foram altamente compensadores: 1,5 milhão de visitantes; 15,3 mil cadastrados de mais de 100 países, 10 mil ideias enviadas que geraram mais de 3 mil desenhos dos designers da empresa até chegar ao projeto finalizado que fosse não apenas um carro conceito, mas também um carro criado em parceria com o público, que com certeza, são potenciais consumidores do produto.

A Tecnisa, por exemplo, foi além desse projeto e lançou o seu site na mesma linha colaborativa, mas enquanto o projeto FIAT para no “carro conceito”, a Tecnisa vai construir apartamentos a partir das necessidades e sugestões de seus clientes e vender esses apartamentos, acredito eu, tendo como primeiro público impactado os cadastrados no site que opinaram por um determinado imóvel.

Entende agora porque disse que Busarello e Ciacco são caras diferenciados no mundo do marketing cooporativo? Porque eles entendem que a web é mais do que vendas, é relacionamento, é troca, é conversa da marca com seus usuários. Isso bem feito é o que gera vendas!

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