Quem é o consumidor 2.0?

Uma pergunta corriqueira para os profissionais de marketing é: “Quem é o consumidor 2.0? O que faz, o que gosta, o que deseja e como compram?” São dúvidas que vem crescendo a cada dia, ainda mais quando esse consumidor está cada vez mais presente no cotidiano das marcas.

Pesquisar, entender, analisar e definir quem é o público-alvo de uma campanha é um dos papeis fundamentais do profissional de planejamento dentro de uma agência, por isso, cabe a nós, entendermos e definirmos para as marcas com as quais trabalhamos quem é esse novo consumidor.

Para começar essa definição, que parte muito do meu “feeling” e do que tenho visto no mercado, podemos pensar em uma recente, mas já clássica campanha de consumidor 2.0, o Sr Oswaldo Borelli, um desconhecido no meio digital até o final de Janeiro do ano passado, quando resolveu reclamar de uma marca via YouTube e Twitter e acabou sendo Trend Topics mundial no Twitter. Hoje uma grande métrica para as marcas é estar no Trend Topics, mas é preciso tomar cuidado para não estar lá porque as pessoas estão falando mal da marca.

Em tempo, fica a dica aqui para você acessar e ouvir a entrevista que foi feita com o Sr Borelli sobre a sua situação junto à marca de geladeiras.

Voltando ao assunto, porque citei esse case como um consumidor 2.0? Porque quis passar que hoje, as pessoas estão cansadas de ligar no 0800 e ninguém resolver o seu problema e estão migrando para a web onde o barulho de uma queixa é muito maior. Basta analisar que no 0800 sou eu (consumidor) falando com um atendente (que nem sempre está totalmente preparada ou vai resolver seu problema), no Twitter sou eu falando com 800, 900 pessoas que me seguem e estão sendo impactas pela minha opinião de uma marca, seja ela boa ou ruim.

Outro papel do consumidor 2.0 é o uso da web na decisão de compras, sejam elas via site (e-commerce) ou em uma loja física. Estão cada vez mais exigentes e por um motivo simples até: estão com muito mais acesso a informação! Se um consumidor quer comprar uma TV ele vai em um blog e sabe qual a melhor marca, entra em um site de tecnologia e entende a diferença entre Plasma, LCD e LED. Pergunta a um amigo via Facebook qual ele indica, entra no Buscapé e busca o melhor preço e condição de pagamento, acessa o Reclame Aqui e vê se a marca da TV ou o site tem muitas reclamações e por fim decide a compra, seja ela no mundo online ou físico.

Importante, para fechar esse artigo, é mostrar que o consumidor 2.0 não é aquele que usa a Internet para pesquisa e sim aquele que usa a Internet para pesquisa, interação, entendimento, relacionamento, conversas, indicações (ele indica e recebe indicações), é aquele que usa a web como uma plataforma de comunicação, assim como as marcas usam – ou deveriam usar – a web 2.0, o consumidor já usa.

Fechar os olhos para isso é uma miopia enorme que pode acabar prejudicando a imagem da empresa!

O crescimento da internet no mercado brasileiro vem gerando novos empregos no mercado digital. Se antes, as agências eram formadas pelo trio Atendimento, Criação e Tecnologia, hoje possuem profissionais de arquitetura de informação, gerenciamento de projetos, mídia, redatores, especialistas em redes sociais, usabilidade, links patrocinados, otimização de buscadores, além profissionais especializados em determinadas linguagens tecnológicas, como PHP, ASP ou Flash. Enfim, a web trouxe novas profissões ou especializações para o já tão saturado mercado publicitário.

Um dos profissionais que vem ganhando muito espaço no mercado de agências é o profissional de planejamento digital, ou como eu prefiro chamar, planejamento estratégico digital.

Os profissionais de planejamento, ou planners digitais, usam técnicas de planejamento de comunicação conhecidas nas agências “offline” alinhadas a técnicas específicas de web. Em meu livro Planejamento Estratégico Digital (Editora Brasport) eu explico como surgiu e se desenvolve essa nova disciplina dentro das agências, importantíssima para fazer o trabalho de pesquisas, análises, entender o perfil do público-alvo, entender o problema de cliente e traduzir tudo isso em estratégias digitais que liguem a marca ao consumidor.

Mas qual o perfil desse profissional?

Planners são responsáveis por descobrir os problemas da marca dos anunciantes. Entendem o que os consumidores desejam das marcas, descobrem se a promessa das marcas está sendo condizente com o que os consumidores desejam. Planners descobrem uma solução estratégica para o cliente; são profissionais que entendem de estratégias, dos caminhos que devem ser traçados para atingir os objetivos do cliente.

Os planners que desejam apenas cumprir os objetivos precisam rever sua maneira de pensar, pois é sempre importante trazer para o cliente mais do que ele espera. Planners são eternos insatisfeitos com os resultados. Sabem que podem conseguir sempre mais. E buscam isso.

Planners pesquisam tudo: concorrência, comunicação, público-alvo, mercado, tendências, novas tecnologias, novas mídias, consumidores, empresa. Geram relatórios e relatórios de dados sobre todas – e outras – pesquisas. Um papel fundamental do planner é transformar esses dados em informação relevante.

A inteligência do profissional é sua única “ferramenta” no auxílio dessa transformação. Essas informações serão a base para a construção das estratégias para o cliente; serão também importantes para gerar um briefing criativo que inspire a criação a fazer um trabalho excepcional baseado no planejamento estratégico digital.

Planners inspiram a criação, acham caminhos para melhorá-la. Não criam, apenas dão ferramentas para os criativos.

Ênfase no conteúdo

A comunicação para o público-alvo deve ser sempre relevante e diferenciada, afinal, todo o consumidor é impactado por diversas mensagens. Um homem de 25 a 30 anos, classe A, morador de São Paulo pode ser alvo de dezenas de marcas; logo sou impactado pela grande maioria delas.

Mensagens relevantes e diferenciadas prendem as pessoas. Essa qualidade na mensagem é papel do planner e quando falamos de internet então, é sempre importante dizer que conteúdo é um dos fatores mais importantes dessa ferramenta.

Os planners digitais devem se preocupar muito com esse conteúdo. Ele deve ser relevante, ou o usuário fecha o browser ou digita outra URL. Planners enxergam mais longe, pois são eles que fazem as pesquisas; assim têm uma visão mais abrangente do que está acontecendo, do que estão falando e como agir. Informação é tudo.

Publicitários possuem “feeling”, entretanto não se pode fazer uma campanha baseada em “eu acho que…”.  Feelings são importantes para iniciar possíveis estratégias, possíveis caminhos. É um bom começo de conversa, mas as pesquisas  embasam o planejamento.

Quando necessário, planners, mudam os rumos da empresa, afinal são eles que estão constantemente avaliando as marcas no ambiente em que estão e propondo mudanças para melhorar as vendas: Toda empresa quer sempre vender mais. Mais vendas = mais lucros.

Avaliam presença da marca na web

É importante entender o que o consumidor espera de um site e como ele entende essa presença da marca na internet. O consumidor está cada vez mais no poder, quer ouvir e ser ouvido. É muito importante que os profissionais de planejamento acompanhem diariamente o que as pessoas estão falando das marcas; nunca é demais lembrar que uma comunidade no Orkut “Eu odeio marca X” pode acabar com anos e anos de estratégias de marketing das empresas.

O “boca-a-boca” ainda é a melhor estratégia de comunicação de um produto, pois as pessoas confiam mais no vizinho indicando uma marca do que no comercial de 30 segundos no Jornal Nacional, mídia mais nobre da TV brasileira.

A chamada web 2.0 potencializou esse boca-a-boca. Hoje qualquer um, com acesso a web – seja de casa, trabalho, lan house ou faculdade – pode montar um blog, um perfil no Orkut, no Facebook, ter um MSN e possuir 300 seguidores no Twitter. Ao mesmo tempo.

O meu blog, por exemplo, possui em média 80 acessos/dia. Se eu coloco que a marca X é ruim ou seus serviços são ruins, posso não influenciar as 80 pessoas, mas com certeza serão 80 potenciais consumidores da marca que ficarão com a “pulga atrás da orelha” antes de consumir essa marca ou esse serviço. Recentemente postei algo sobre um serviço de TV a cabo e o pessoal do relacionamento da operadora entrou em contato comigo, pois leu o que eu escrevi.

O livro aborda como as empresas podem trabalhar melhor essas redes sociais, pois esse é um papel fundamental do planner entender como influenciá-las em prol das marcas ou saber trabalhar as comunidades.

A Coca-Cola por exemplo, possui uma comunidade com mais de 600 mil usuários, chamada “Eu Amo a Coca-Cola”. As empresas não podem, jamais, fechar os olhos para 600 mil consumidores que afirmam que amam tal marca. Eu pertenço a essa rede social e até hoje jamais fui impactado por qualquer comunicado da Coca-Cola. Por que será?

O planner é uma peça fundamental dentro das agências para que os projetos digitais possam ter mais sucesso, pois são responsáveis por entender o que as marcas prometem diante do que os consumidores desejam e transformar isso em estratégias que liguem essas marcas a esses consumidores.

Social Media Marketing é o marketing aplicado aos meios de comunicação social, isto é, basicamente, o marketing que objetiva “espalhar” a presença da sua marca na web, aumentando sua visibilidade e prestígio em redes sociais. Já devo ter dito algo sobre Social Media Marketing e os benefícios de realizar este tipo de campanha. Mas, como qualquer campanha de marketing, o Social Media Marketing requer uma estratégia de planejamento.

Quer dizer que você não pode ir para a loucura do ambiente social, escrevendo e publicando qualquer coisa que te der na telha. Nós precisamos montar a nossa campanha com a inteligência, de modo que ela seja tão eficaz quanto possível.

O objetivo é aumentar a nossa visibilidade e autoridade na rede, através de meios de comunicação social e buscar sermos referência neste tipo de mercado. Como é que vamos conseguir?

1. Focando os valores que queremos transmitir sobre a nossa marca, blog ou produto. E trabalhar nesse sentido.

2. Estudar e analisar os diferentes meios sociais, saber que tipo de público você quer atingir e qual conteúdo será gerado em cada meio social.

3. Orientação. Escolha um grupo ou um pequeno grupo de meios sociais que mais se adaptem aos nossos interesses e no qual seus usuários podem estar interessados.

4. Ser participativo na mídia social, compartilhando conteúdo relevante, falando com respeito e gerando nosso próprio conteúdo. Não pense em vender nada, mas sim em participar.

5. Estar atualizado sobre as tendências e novidades sobre nosso nicho de mercado. Grande parte dos comentários que recebemos depende deste fator.

6. Analisar periodicamente as estatísticas do nosso site para ver se nós estamos fazendo uma campanha eficaz de Social Media Marketing, ou se em vez disso, deveríamos mudar de estratégia.

7. Estabelecer laços mais fortes com os nossos contatos, se possível sempre através da mesma rede, conversar através de mensagens instantâneas, realizar atividades em comum, comentar nos blogs ou responder perguntas feitas no seu blog.

8. O sucesso da campanha depende, em grande parte, do ambiente social que decidimos participar. Caso sua campanha não dê certo, tente novamente, mas agora faça um melhor planejamento e reveja todos os erros que você cometeu.

O que devemos fazer para a nossa campanha de Social Media Marketing ser eficaz?

Basicamente, como é que você levará adiante? Seja você mesmo, eu sugiro que você se comporte em diferentes redes sociais, lembre-se você está interagindo com as pessoas na vida real. Procure focar no seu mercado, compartilhe, comente e responda: assim começa a sua estratégia de SMM.

Edição e Revisão: Diana Pádua

No marketing digital, a palavra marketing vem antes da palavra digital, ao menos aqui no Brasil. O que quero dizer é que os conceitos fundamentais de marketing, publicidade, design são mais importantes do que todas as ferramentas digitais. São as estratégias, o planejamento, os pensamentos humanos, que vão fazer as táticas utilizadas nas ferramentas atuais ou futuras darem resultados.

O controle da marca não existe. O comportamento do consumidor atual com a Internet deixou de ser simples receptor da comunicação para se tornar retransmissor e formador de conteúdo. Ouça bem: cada pessoa com um computador e um pouco de habilidade tem as ferramentas para fazerem suas opiniões sobre sua marca serem ouvidas por outras pessoas. Elas já estão falando sobre você. O controle da mensagem é uma ilusão, desista.

Seus Stakeholders estão falando sobre sua empresa no Facebook, Twitter, Orkut ou em grupos fechados desenhados para deixá-lo fora, para que possam falar sobre você em paz. Seus clientes estão enviando e-mails e usando o MSN para falar da experiência com sua marca. Você não tem controle. Você deve entrar na conversa, ao menos você poderá influenciar o que está sendo dito.

O marketing tradicional não é inimigo do marketing online ou marketing digital, são complementares. A mídia off-line pode complementar a on-line e vice-versa. O que existe hoje claramente é uma divisão entre as agências digitais e as agências de publicidade tradicionais, elas podem trabalhar em parceria ou ter um braço digital dentro da própria estrutura off-line.

Considero alguns conceitos e estratégias de marketing fundamentais para o sucesso de uma campanha d marketing digital. São eles:

#segmentaçãodemercado
Segundo Kotler a segmentação é a subdivisão do mercado em subconjuntos homogêneos de clientes, em que qualquer subconjunto pode, concebivelmente, ser selecionado como meta de mercado a ser alcançada com um composto de marketing distinto. Desse modo, devemos tratar cada mídia social e cada target de forma única.

Outras disciplinas têm contribuído de maneira significativa para os estudos de segmentação de mercado, como é o caso da Sociologia e da Psicologia. Em 1977, um artigo de Schwitzer propôs a adoção da segmentação psicográfica para maior alcance da audiência de veículos. A segmentação psicográfica enfoca o estudo do comportamento do consumidor e divide o mercado em segmentos com estilos de vida homogêneo, entre si, e heterogêneo, em relação aos demais segmentos. A segmentação psicográfica, a qual eu considero a mais importante, é muito comum nas mídias sociais. São várias as comunidades que se relacionam e se segmentam por estilo de vida.

#marketingderelacionamento
Prestar atenção nas opiniões das comunidades e comentários em Redes Sociais, blogs e microblogling visando satisfazer as necessidades e interagir com os usuários são a base do marketing de relacionamento nas mídias sociais. é uma estratégia de negócios que visa construir proativamente uma preferência por uma organização com seus clientes, canais de distribuição e funcionários, contribuindo para o aumento do desempenho dessa organização e para resultado sustentáveis. Consiste, portanto, em lançar mão de várias ferramentas do marketing, integradas sob um grande “guarda-chuva”, que garante alinhamento estratégico e coerência de ação.

#buzzmarketing
O buzz marketing tem como objetivo disseminar a mensagem e fazer com que esta aconteça, é necessário que a empresa esteja interagindo com os consumidores nos lugares onde eles se encontram: nas mídias sociais. Esse espaço construído pela interação dos usuários da Internet e é onde tem se concentrado o público da que precisa ser alcançado e que está compartilhando sobre suas experiências de compras. Chegue até outras pessoas com um alto grau de influência, formadoras de opinião. Esse espaço construído pela interação dos usuários da web é onde tem se concentrado o público da que precisa ser alcançado e que está compartilhando sobre suas experiências de compras.

#marketingdeguerrilha
Pode surpreender o número de “grandes empresas” que iniciaram a luta como pequenas empresas. A história da ascensão desses ícones é a história do marketing de guerrilha.  Até 1984, os princípios do marketing de guerrilha eram conhecidos por um grupo seleto de pessoas no mundo. Eles ciosamente mantiveram em segredo essa informação em um fervor quase fanático.
O equilíbrio de forças foi dramaticamente prejudicado por um gênio de marketing chamado Jay Conrad Levinson — indiscutivelmente um dos mais respeitados homens de marketing no mundo. Ele é o homem que cunhou o termo “marketing de guerrilha” e apresentou esses segredos. Seus conceitos têm tanto êxito que ele já publicou 27 ivros sobre o assunto (em 37 idiomas). Os livros de Jay Conrad Levinson são leitura obrigatória na maioria dos mais respeitáveis programas de MBA no mundo, e ele é hoje o autor de livros empresariais mais lido e respeitado no mundo. E ele fez tudo isso “do nada”. Quer dizer, o sucesso da marca “marketing de guerrilha” é um testamento dos mesmos princípios que o próprio Jay ensina.

Tanto é assim que ele também é um dos criadores do Homem de Marlboro.
Então, afinal, o que é o marketing de guerrilha?
 “De que forma o marketing de Guerrilha é diferente do marketing tradicional? Marketing de guerrilha significa estratégias pouco convencionais, nada tradicionais, que não estão no manual e são extremamente flexíveis.” As táticas de guerrilha aplicam-se totalmente aos negócios eletrônicos, pois a internet não é apenas um novo campo de batalha para o marketing de guerrilha, mas o seu derradeiro!

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André Telles é formado em Publicidade e Propaganda pela PUC-PR, cursou Pós Graduação em Marketing (FAE Bussiness School – 1996), e MBA em direção estratégica (FGV – 2008). Têm em seu currículo diversos cursos de extensão ligados a marketing digital e Internet, no Brasil e exterior.
Em 2005, escreveu o primeiro livro do Brasil a tratar das mídias sociais, intitulado “Okut.com”, lançado pela editora Landscape. Em 2009 lançou sua segunda obra, “Geração Digital”, pela mesma editora. Já realizou diversas palestras sobre marketing digital, inclusive para o Google Internacional.
CEO da agência digital, Mentes Digitais, especializada em marketing digital.
www.mentesdigitais.com.br | www.twitter.com/andretelles

Vivemos em uma era de profundas transformações no modo de viver, consumir e nos relacionar com as pessoas e uma grande “culpada” desse nosso novo processo sem dúvida alguma é a Internet; que na minha modesta opinião é a maior revolução da comunicação de todos os tempos, afinal, em um só veículo temos textos, som, vídeo, imagens, movimento e tudo isso na mesma página, basta acessar a qualquer home de Portal e você verá como tem tudo isso em suas mãos, ou melhor, olhos.

Essa revolução é por um lado muito importante para o crescimento de qualquer nação, pois sem conhecimento não chegamos a lugar algum, mas por outro lado, recentes pesquisas começam a assustar até a quem trabalha com esse meio, como eu: os jovens estão cada vez mais dependentes da web!

Me lembro que quando eu tinha 14, 15 anos (hoje estou com 30) minha maior diversão era jogar futebol. Era apaixonado por isso. Praticava o esporte diariamente, de domingo a domingo quase que 5 a 6 horas por dia. Jogava bola na escola, em três vezes por semana em uma escolinha de futebol no meu bairro, as 2as feiras com o pessoal do escritório de advocacia do meu pai e ainda – todos os dias – com os meus amigos do prédio em que morava com meus pais. Fazia chuva ou sol, eu estava lá jogando. Vivia suado, machucado, mas feliz por fazer um esporte que amava. Computador para mim, era sinônimo de trabalho de geografia, história, biologia… eu tinha um PC 286 daqueles com a tela verde e preta, tinha alguns joguinhos, mas meu negócio era ir para a quadra (improvisada) do prédio e jogar futebol. Em dias de calor era futebol, piscina, futebol… meus melhores amigos, até os dias de hoje, são dessa época. Os conheci em 1988 e somos uma “segunda família” até os dias de hoje.

A grande maioria da turma se mudou do prédio, mas ainda há alguns que moram lá. Sempre que posso vou até o prédio visitar alguns e vejo a nossa improvisada quadra vazia, a piscina apenas com um casal que tem uma criança de colo… ficamos lembrando do nosso tempo de criança e perguntando onde está a geração de 14,15 anos hoje que não está na quadra jogando bola em um sábado de sol com céu azul? A resposta é simples: Estão no computador!!!

Não creditem essa história apenas ao meu antigo prédio. Hoje em dia a maioria das crianças e adolescentes estão enfiadadas em uma sala ou quarto com seu computador de última geração, com internet mais rápida do que muita empresa, passando mais de 10 horas (as vezes mais que muito executivo) na frente da tela jogando, se relacionando, conversando, namorando, baixando música, lendo uma matéria da sua banda favorita, buscando emoticons para o MSN… enfim, estão mais brancos do que cera, estão engordando pois troca-se a alimentação saudável por um lanche na frente do computador e estão perdendo um tempo que não volta mais: o tempo que a única responsabilidade é estudar e se divertir!

Na edição de número 2.157 de 24 de Março de 2010 da Revista Veja (Editora Abril) foi publicado um estudo sobre o comportamento do jovem frente a Internet. O material, confesso, assusta pois os depoimentos recolhidos ali pela equipe de reportagem devem acender a luz amarela aos pais, e claro, a todos aqueles que trabalham com a Internet. A Internet deve ser um meio de comunicação, entretenimento e relacionamento. Não um vício.

“Aos 14 anos ganhei meu primeiro computador. Fui me tornando uma pessoa viciada sem perceber. Há 6 meses desde que terminei a escola fiquei ociosa sem saber que faculdade seguir. Passo em média 8h por dia navegando e sempre me parece insuficente. Na Internet me refugio da timidez. Tenho Blog, mais de 300 amigos em Redes Sociais. Por lá arrumei um namorado. Só tenho uma amiga da época pré-internet. Até refeições faço na frente do computador. Vivo em um mundo fechado, sou improdutiva. Acho que preciso de ajuda” Esse é o relato dado a Revista Veja de Marília Dalabeneta de 18 anos.

Para mim, soa assustador primeiro de tudo ver que há pais que vivem no mesmo teto de uma adolescente assim e nada fazem. Me lembro, que já no colegial meu pai me colocou para trabalhar como office-boy do escritório dele ganhando 300 reais por mês que eu torrava em CD, McDonald´s e baladas. Mas desde cedo peguei amor pelo trabalho, por ter meu dinheiro; minha mãe, psicóloga, foi grande incentivadora disso e agradeço demais meus pais por essa iniciativa; outro ponto a analisar é saber que em um momento de total fraqueza de um adolescente que tem que decidir o que vai ser “quando crescer” a jovem totalmente desmotivada se entrega ao computador como amigo, é lastimável, mas há milhares de Marílias pelo Brasil.

Segundo o estudo, como cada vez menos os pais tem tempo para o filho e a web é algo rotineiro na vida deles, fica difícil dos pais perceberem quando o filho está viciado, apesar, que em alguns casos os pais fingem que não vêem ou deixam os filhos conectados para que esses não o amolem ou briguem entre si, aumentado o problema.

Cada vez mais vemos o jovem sem iniciativa, querendo que tudo caia do céu e sem a menor vontade de pegar no pesado. Conheço casos de jovens de 18 anos que conseguem empregos ganhando 800, 900 reais mais desistem porque o trabalho é chato ou ganham mal. Os jovens de hoje acham que a vida é um vídeo game que em 2 ou 3 fases eles pularam de estagiário para presidente de multinacional na ilusão que trabalharam pouco, (como se presidentes e CEOs de multinacionais não trabalhassem 15 horas por dia) ficarão dando ordens e ganharam 80 mil reais por mês.

É difícil perceber o momento quem alguém deixa de fazer uso saudável da Internet para estabelecer uma relação de dependência – essa é, na minha opinião o ponto chave da matéria.

“Há dois anos a minha relação com a Internet deixou de ser saudável. Perdi a medida. Entro no computador para trabalhar no meu projeto de conclusão de faculdade e quando me dou conta estou no Orkut. Sei que isso me prejudica, mas não consigo mudar. Deixo de sair para ficar online. Só o sono me tira da frente do computador” – relato de Tiago Lourenço de 25 anos

Estudos nos EUA mostram que dos internautas em vários países estudados, inclusive aqui no Brasil, cerca de 5% é viciado, em números, no Brasil cerca de 3,5 milhões de pessoas são completamente viciadas em web, ficando como nosso “amigo Tiago” mais de 8h e deixando de sair para ficar conectado; a maior concentração está na faixa de 15 a 29 anos. São pessoas que trocam uma festa com amigos por um jogo online ou um bate-papo no Twitter ou MSN.

Cerca de 90% usuários de internet, os internautas, estão na faixa de 15 a 29 anos. Se por um lado, pensando em marketing digital, isso é bom, pois muitos desses jovens hoje serão os decisores das empresas amanhã e com isso a web vai crescer por outro lado é ruim pois veremos cada vez mais pessoas altamente despreparadas para assumir cargos de comando e chefia (todas as áreas) nas empresas, logo veremos muitas coisas ruins acontecendo. Não quero aqui generalizar, pois há muitos jovens nessa faixa que são grandes talentos.

Estou nesse momento me associando a um deles, um enorme talento e inteligência, mas de um cara que sempre diz que enquanto seus amigos iam para festas, ele estudava, enquanto outros iam jogar vídeo game em Lan houses, ele lia um livro de finanças. Hoje os amigos estão trabalhando em empresas e ele tem 8 empresas, faturando alto e nem chegou aos 30 anos.

O jovem tem por natureza uma profunda paixão pelo descobrimento, basta que o ajudemos a canalizar isso para o seu bem, não apenas profissional como pessoal também. Relacionamento físico é extremamente importante.

Essa falta de relacionamento tem deixado o jovem tímido, com baixa estima e fraco. Ele tem medo do que a sociedade vai pensar, pois tem medo de se mostrar, então ele entra em seu mundo paralelo, na web, onde ele poder ser um personagem. Nas redes eles podem se expor sem problemas, sem medo, pois não estão encarando o olho no olho ou uma multidão. Estão escrevendo para um monitor e pronto!

Segundo a psicóloga Kimberly Young “o viciado em Internet vai, aos poucos, perdendo os elos com o mundo real até desembocar com o universo paralelo e completamente virtual” em outras palavras, a vida desse viciado passa a ser seu quarto e sua conexão de Internet. Fico imaginando esses jovens quando há uma pane no Speedy, devem surtar de um modo até agressivo.

Que os pais (e em breve me encaixo nesse perfil) comecem a olhar mais as crianças de hoje, que são o futuro da nação, mas que criemos cidadãos e não pessoas que vivem seu mundo paralelo no digital. Será que estamos vivendo um novo Second Life?

Como é minha primeira contribuição, achei por bem começar a escrever sobre o que está na moda nas mídias sociais e os problemas de segurança relacionados, enfocando o questionamento sobre as redes sociais e a manutenção, de forma segura ou não, ou exclusão das contas.

As redes sociais criadas virtualmente foram/são fundamentais para a troca de informações, contatos e encontro de pessoas. Isso é inegável, pois quem já não encontrou antigos amigos e colegas no Orkut?! Porém, junto com elas vem o afetamento da privacidade e coisas que eram restritas/privadas acabam tornando-se públicas: é o efeito normal de “abrir” determinados comportamentos e informações na web.

Tem uma abordagem interessante sobre isso no Blog Coisas e Boas, e também uma pesquisa com inúmeros dados sobre os hábitos dos brasileiros perante as mídias sociais. Veja:

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Aliás, as redes sociais afetam os relacionamentos de uma forma bastante geral, principalmente no trabalho. Assim, tanto podem ser usadas para o “bem” quanto para o “mal”. Segundo divulgado, no Empreendendorismo e Inovação, em 2009 no Estado de São Paulo os órgãos públicos liberaram, por Decreto do Governo do Estado, os acessos às redes sociais, tais como o Orkut, Twitter, Facebook etc, justamente tentando abranger e atender parte da população acostumada a usá-las.

Aí vemos um uso útil e público das redes sociais. Mas e quando elas se tornam perigosas ou desnecessárias? Vejam uma notícia, de 2009, sobre as redes sociais serem o principal alvo dos hackers naquele ano.

Pessoalmente, durante estes dois últimos anos, à frente do Curso de Crimes Praticados pela Internet no Rio Grande do Sul, vi/ouvi inúmeras situações citadas pelos alunos. Dentre elas, as imensas quantidades de informações que eles postavam no Orkut, inclusive com telefones celulares de contato, endereços residencial e comercial etc., e, depois das aulas iniciais, explicando-lhes os problemas e riscos, vários ou acabavam restringindo as informações ou deletando a conta, fazendo, então, o chamado “suicídio virtual”. Aliás, acrescento um dado apenas: muitos deles sequer haviam feito uma pequena pesquisa pelo nome (entre aspas) no Google e se surprendiam com as informações que achavam sobre si. A propósito, você ja fez isso?

Colocando isso e em face de sempre haver a pergunta “como faço para deletar a minha conta do twitter, do orkut, do facebook?”, pretendo, neste e nos próximos posts tratar disto, motivo pelo qual estarão numerados e referenciados. Vou procurar fazer isso do específico para o geral, pois existem ferramentas que ajudam a se livrar dessas redes sociais sem ir para o site específico.

Hoje vou referenciar como cometer o chamado “orkuticídio”, que você poderá fazer sem que isso afete os outros serviços agregados do Google (ah … você não sabe quais os serviços que usa do Google então veja no Dashboard, faça o login e verifique tudo o que a empresa citada sabe sobre você!).

Para deletar o orkut você pode ir para este link, acessar sua conta e encaminhar a exclusão da sua conta, conforme imagem abaixo.
Orkut - Delete

Como você pode ver na imagem, há a orientação para clicar no link chamado “Excluir minha conta”, bem como, após feito o procedimento, não acessar novamente a conta, que estará em processo de exclusão, pois essa ação “poderá restaurar a conta”.

Mas se você não quiser deletar a conta, porém torná-la mais segura e com menos exposição das informações, a sugestão é que vá em “configurações” e depois em “privacidade” e restringir todas as permissões que lhe convierem, principalmente o que as pessoas podem visualizar em termos de fotos, vídeos, recados etc. Caso você queira ver outras orientações veja o que escrevi sobre o assunto no ano passado e leia sobre as recomendações do que podes publicar ou não no seu perfil do Orkut (são apenas sugestões!).

Bom, por hoje é só. No próximo post da séria falarei das configurações e exclusão da conta do Twitter.

Amigos leitores.
Esse é o primeiro post do ano aqui no site O Melhor do Marketing. Quero agradecer ao André Damasceno, pelo espaço e dizer que esse ano nossos projetos serão realizados, estou muito feliz em escrever aqui e pretendo continuar por muito tempo ainda; em breve, vocês leitores saberão desses projetos e com certeza poderão desfrutar de todos.

Para começar o ano com “chave de ouro” vou resumir aqui a palestra que Ken Fujioka (head of planning da JWT) um dos maiores nomes do planejamento nacional deu na última Conferência de Planejamento, evento anual realizado pelo Grupo de Planejamento de São Paulo, em 01 de dezembro de 2009.

O material na íntegra, você poderá conferir no meu blog http://plannerfelipemorais.blogspot.com, entretanto aqui nesse artigo vou colocar o que de mais importante Ken Fujioka passou, lembrando que o material na íntegra foi feito pelo Carlos Vilela, do site CHMKT.

Ken começou sua palestra provocando sobre um assunto ainda bem discutido no mercado de comunicação Planejamento e Criação: Mais ou Versus; ou seja, até que ponto as duas áreas precisam trabalhar juntos? Na minha opinião – antes mesmo de ler o artigo – as duas áreas tem que trabalhar juntas SEMPRE no começo, meio e final do processo de planejamento!

Para o palestrante, o planejamento tem que ter uma visão de negócios do cliente, mas ele contribui muito mais para o processo na entrega criativa, quando o planner agrega valor ao que a criação fez. Os planners devem estar ao lado da criação, inspirando-os e auxiliando no resultado final. Planners devem ser mais criativos e menos críticos, menos metódicos = criação colaborativa!

Ken acredita que os planners passam muito tempo em reunião (concordo como Ken) e estão cada vez mais longe da criação – até fisicamente na agência (mais uma vez, Ken faço suas as minhas palavras) e isso está se tornando ruim!

Na minha opinião, essas áreas devem estar próximas, e se focarmos em comunicação digital (minha especialidade) eu acredito que as equipes de TI devem estar próximas a criação e planejamento. Acredito no trabalho em conjunto para o cliente e não de uma super idéia dada por um grande criativo. Essa super idéia existe, claro, mas só sai do papel embasada e para isso o papel do planner é fundamental.

Ken mostra alguns itens que levantou junto a equipes de criação com relação aos planners de suas agências, entre os que eu destaco são repertório cultural e de vida fracos e briefs sem direcionamento; bom, lembro-me de uma frase de outro “monstro” do planejamento Ulisses Zamboni que diz que “planners com vida normal dão respostas normais” e concordo, precisamos conhecer o mundo para saber o que ele fala para nós!

Briefs sem direcionamento também, afinal, nós planners damos o direcionamento das marcas e não devemos esperar isso de um criativo. Devemos – planners – tirar a responsabilidade da campanha da dupla de criação, reforço que o trabalho em equipe é o que vale e fará diferença!

O processo de planejamento estratégico é importante que todos se envolvam, desde a criação a mídia, com passagem pelo atendimento; no processo de planejamento estratégico digital, a TI é também muito importante no processo, é importante que não esqueçamos disso! Planners não trabalham sozinhos, nem criação, nem atendimento, nem mídia… Ken defende que a criação deve participar da estratégia com o mesmo peso que o planejamento deve participar da criação.

Para nós, planners é importante ter uma visão diferenciada e tendo a criação como um desses “olhares” é sempre bom e ajuda muito, mas isso passa por um processo complicado dentro da cultura da agência. Vejo agências de Internet, que tem uma estrutura menor, com modelos similares ao que estou discutindo nesse artigo, mas isso ocorre muito mais por ser uma estrutura menor, com menos funcionários e por isso todos sentam perto de todos do que por cultura.

Enfim, o modelo proposto por Ken é interessante e eu concordo, pois meus melhores trabalhos foram aqueles em que a criação e TI se envolveram desde o começo, mas muito mais porque eu chamei e coloquei os profissionais no processo do que por cultura das agências pelas quais passei, é um modelo que devemos analisar e como profissionais introduzir nas agências que trabalhamos, seja mudando a cultura ou na “marra” mesmo.

E bom 2010 para todos nós!

Esta obra foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não-Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.Rogério Lima