“Temo que o Sr. Sherlock Holmes possa se tornar um desses tenores populares que, tendo sobrevivido ao seu tempo, segue receptivo à ideia de fazer sucessivas despedidas às suas indulgentes plateias”.
É com essa frase que Sir Conan Doyle começa o prefácio de The Case-Book of Sherlock Holmes, penúltimo livro (reunião de contos) lançado sobre o personagem. Doyle se espantou com o fascínio que as histórias de Holmes exercem sobre o público, e tentou criar outras obras relevantes. Afinal, o que tanto nos atrai nas histórias de mistérios?
Não é meu papel aqui responder a essa pergunta, mas gosto de deixar aberto para que todos os leitores do O Melhor do Marketing respondam, e participem do debate.
Meu papel aqui é mostrar como a associação de um personagem/marca com os mistérios consegue envolver as pessoas, gerar a identificação e fazer com que desejemos participar cada vez mais da construção de uma história.
Estou lendo “Cultura da Convergência”, de Henry Jenkins, que analisa como a convergência é, mais do que tecnológica, social e cultural. Jenkins propõe a narrativa transmídia como a grande revolução na comunicação de entretenimento. É o caso de Lost e Heroes, por exemplo, duas séries que expandem os mistérios para outros meios além da TV, que envolvem o público na (re)construção das histórias.
Sherlock Holmes faz isso há mais de um século. O fascínio pela obra de Doyle levou milhares de pessoas a estudarem o personagem, a recontarem sua história, e com a internet, isso tomou proporção mundial.
E agora vem o filme, com direção de Guy Ritchie, e com Robert Downey Jr. no papel do detetive mais famoso do mundo, e Jude Law como seu fiel “escudeiro” Watson. Também não quero fazer aqui uma resenha do filme, e sim falar sobre as ações online do filme.
Percebendo a importância dos social games, a Warner Bros. criou para o filme um jogo de mistérios multiplayer com integração com o Facebook, o 221B. O jogo pode ser jogado preferencialmente em dupla (Holmes e Watson), ou caso a pessoa prefira, sozinho. A ideia é desvendar mistérios, e o jogo utiliza Inteligência Artificial, que reconhece um grande número de questões que potencialmente serão feitas pelos jogadores. Assim, você não tem a sensação de conversar com o computador e os personagens respondem de uma forma mais humana.

Além disso, o jogo possui um roteiro dividido em capítulos, que leva os jogadores até o início da primeira cena do filme. É a narrativa transmídia aparecendo, dando continuidade à história em diferentes meios, com diferentes características, em vez de simplesmente repetir o mesmo discurso.
Uma boa ação também foi a criação de um tema para o TweetDeck, client da Adobe Air para o Twitter. O TweetDeck Telegram Co. possui, além das funcionalidades normais do aplicativo, colunas dedicadas ao game 221B e de pesquisa por hashtags relacionadas ao filme.

Enfim, ótimas formas de se chegar ao público. “Elementar, meu caro Watson*”, os grandes da indústria de entretenimento já perceberam como proporcionar uma possibilidade grande de interação e de imersão na atmosfera misteriosa da história e da marca. Aliás, Sir Conan Doyle já havia percebido isso há mais de um século.
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* A frase “Elementar, meu caro Watson” foi criada no teatro, e mesmo que conste em algumas traduções, como a do Um Estudo em Vermelho da Martin Claret de 2001, não existe no original da obra, tendo sido popularizada pelas adaptações das aventuras.
E aí? Qual a marca que você quer ver no próximo post da série? Clique aqui e vote!
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Fontes:
221B: A inteligência artificial do game online de Sherlock Holmes
Sherlock Holmes – verbete da Wikipedia
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Comunidades sobre Sherlock Holmes:
Balanço social, venda da pizza, campanha do agasalho. Iniciativas que a maioria das organizações apóia e desenvolve sob o título de Ações de Responsabilidade Social. O ‘boom’ das mídias sociais encobriram um pouco o tema, mas sim, Responsabilidade Social ainda é a bola da vez.

Esse é um mercado delicado quando falamos e sua parceria com o segundo setor. As empresas querem investir no segmento com foco no negócio, no marketing, esquecendo-se que, muitas vezes a demanda não é essa. Grande erro de briefing.
Sim, a parceria entre segundo e terceiro setor é importante, desde que agregue mais que exposição da marca, mais que prêmios e troféus. Vemos grandes empresas realizarem gigantescas campanhas da sopa, direcionada ao inverno, por exemplo. Alguém lembra que moramos ‘num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza’?
Já que o marketing é o ponto de partida para ações socialmente responsáveis, nos atentemos à escolha do público-alvo de forma correta, façamos um planejamento de mídia levando em conta fatores internos e externos para que seja,os motivo de chacota no meio de quem, de fato, entende do assunto.
Falamos de desenvolvimento humano, de sustentabilidade, das 8 metas do milênio, ninguém e nenhuma entidade não governamental sobrevive de ações pontuais. O sabor é bom, mas acabar tudo em pizza, literalmente não é a solução.
Já dizia Karl Marx “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.”
Eis que essa semana, entre todas as possibilidades de notícias que a imprensa tem para dar, a que mais chama atenção é David Latterman assume casoS extra.conjugais. Duas observações, sim o S maiúsculo é de propósito, não isso não é um texto sobre celebridades. É um texto sobre reputação.
Como diz Goulart de Andrade, repórter dos programas da madrugada, vamos entender isso “Vem comigo”
David Latterman é um dos apresentadores mais renomados e bem pagos dos EUA e sim, por incrível que parece que atingiu esse patamar trabalhando, construindo uma imagem, assim como as empresas, criando valor à sua marca. Podemos exemplificar inúmeros casos de empresas que, assim como o apresentador, ‘escorregaram’ e deixaram aquele arranhão permanente na imagem porque brasileiro tem memória curta para varas coisas, menos quando o assunto é imagem. Quem não se lembra do caso da Schinn onde os donos eram presos por lavagem de dinheiro, o caso Bill Clinton, do Speedy da Telefônica (venda suspensa por falta de qualidade) e tantos outros….
É disso que estamos falando, da importância da marca, da reputação do trabalho incessante para gerar credibilidade e por conseqüência fidelidade por parte dos clientes, estejamos nós falando de pessoas ou produtos.
“As marcas se expressam (…)O objetivo é estabelecer uma conexão, e se esta for emocional, tanto melhor”*
Um bom slogan já não segura consumidor, eleitor, cliente…. não basta “Just do It”, ou “Porque você vale muito” a marca se sustenta pela história, por meio das ações demonstradas perante o mercado e a sociedade. Se não fosse assim, não teríamos campanhas em massa para que as empresas atuem de forma socialmente responsável.
Por isso é de extrema importância que a comunicação esteja alinhada com a estratégia da empresa, mas que seja também um braço no momento da construção da marca. Para dar sustentabilidade, para aplicar as técnicas necessárias, para coordenar o gerenciamento de crise quando necessário.
E sua empresa? Anda prezando pela marca que construiu? Valorizando os representantes dela? Gerando crédito? O preço por um mau cuidado é alto, o preço pelo ‘arranhão’ é alto. Sua empresa pensa nisso? No valor da marca?
Como não podia deixar de ser, terminamos com uma pergunta: e sua empresa? “Quer pagar quanto”????
*Referência do livro Signos da Narca de Clotilde Perez
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